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Um pouco mais sobre os animais do Projeto Refauna


Mais um post sobre elas, as cutias! Não, dessa vez também tem bugios! Hoje vamos falar mais um pouco sobre os processos de reintrodução dos animais do Projeto Refauna.

Se você acompanha o Instituto Conhecer para Conservar nas redes sociais, sabe que as cutias são os animais mais citados do Projeto Refauna. As que já foram reintroduzidas no Parque Nacional da Tijuca vieram do Campo de Santana, um parque urbano localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro. Lá, elas eram capturadas e depois passavam por quarentena no Zoológico do Rio de Janeiro, onde eram realizados exames para atestar sua saúde. Entre 2010 e 2014, 31 cutias foram levadas para a floresta. Os indivíduos liberados no Parque foram monitorados pela técnica de radiotelemetria, permitindo avaliar a sua sobrevivência e eventos reprodutivos, o uso do espaço, dieta e o restabelecimento de interações ecológicas com espécies de plantas. Entre os anos de 2013 e 2015, foi realizado um trabalho de estimativa do tamanho populacional das cutias utilizando armadilhas fotográficas. Esse trabalho mostrou que a população apresenta crescimento positivo, com estimativa de 30 indivíduos adultos, todos nascidos na natureza, indicando que a reintrodução teve sucesso em médio prazo. Como os setores do Parque Nacional da Tijuca não são unidos e estão imersos em matriz urbana, a probabilidade de dispersão de indivíduos do setor Floresta para os outros setores pode ser considerada baixa. Visando aumentar a probabilidade de persistência da população de cutias no Parque Nacional da Tijuca, indivíduos de cutias serão reintroduzidos no setor Serra da Carioca em 2018. Desta vez os indivíduos serão capturados a partir de uma população de cutias soltas no RioZoo.

Em setembro de 2015, o projeto teve seguimento com a reintrodução do bugio-ruivo (Alouatta guariba clamitans), também no Setor Floresta. Até o momento, 6 indivíduos foram soltos. Destes, apenas um casal e seu filhote nascido na natureza ainda persistem no parque. Dois animais tiveram que ser removidos por conta de interação com visitantes do Parque. Mesmo assim, foi observado que 82 espécies de plantas tiveram suas folhas ou frutos consumidos pelos bugios. Além disso, 21 espécies de besouros rola-bostas foram encontrados nas fezes desses primatas, favorecendo assim a dispersão secundária de sementes.

Como o Parque Nacional da Tijuca possui poucos frugívoros de médio e grande parte, as reintroduções da cutia e do bugio podem ter consequências importantes para a regeneração da floresta, através do favorecimento de espécies arbóreas de sementes grandes (>1,5 cm), características de florestas mais maduras. As próximas espécies candidatas para a reintrodução no Parque Nacional da Tijuca e que já estão em fase de estudo de viabilidade são o jabuti-tinga (Chelonoidis denticulatus) e o pássaro trinca-ferro (Saltator similis), cuja soltura de indivíduos deve acontecer em 2018. No mês de dezembro de 2017, também como parte do Projeto REFAUNA, foi iniciada a reintrodução de antas (Tapirus terrestris), o maior mamífero neotropical, que estava extinto há quase 100 anos no estado do Rio de Janeiro, na Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA), em Cachoeiras de Macacu.

Já conseguimos muitas coisas nesses anos de projeto, porém, contamos com a ajuda de todos para que esse projeto continue existindo e com muito mais engajamento. Estamos nos últimos dias da campanha de crowdfunding no Kickante, acesse: https://www.kickante.com.br/refauna e saiba mais sobre como fazer parte!